COBERTURA ESPECIAL FESTIVAL DO RIO 2012

Blogueiros da China

 

A árdua missão dos internautas em buscam da liberdade de expressão

 

Leandro Suares

 

O documentário relata a difícil realidade dos internautas chineses que sofrem com a forte censura imposta pelo governo. Lá, os blogueiros assumem a tarefa de divulgar os grandes problemas econômicos, políticos e sociais vividos em sua sociedade. Na intenção de denunciar as transgressões ocorrentes no país, os relatores da verdadeira realidade passaram a ser fiscalizados e perseguidos pelo governo, o qual realiza ações para censurar o livre acesso dos indivíduos ao mundo virtual.

 

A história se inicia com apresentação dos principais personagens, Tiger Temple, que utiliza sua bicicleta como veículo quando da apuração das denúncias feitas pela população, e o jovem e humilde camponês Zola, que, por meio das redes sociais, difunde as mazelas do governo chinês. Ao desenrolar da história, os blogueiros vão conquistando adeptos e voz no mundo virtual, tanto em âmbito nacional quanto internacional.

 

O movimento também angariou forças graças ao contexto político no qual se inseria: na segunda década do século XXI, em meio a uma onda revolucionária de manifestações e protestos contra os governos ditatoriais no Oriente Médio e no Norte da África. Diante da expansão dos ideais democráticos, o governo chinês intensificou a repressão e a censura em seu país. Com isso, os blogueiros passaram a ser extremamente fiscalizados e burlados pela ditadura chinesa.

 

Com excelentes relatos apresentados sobre a falta de liberdade na China e a demonstração da intensificação do uso da Internet, principalmente das redes sociais, o documentário é uma boa opção para quem está a fim de se inteirar e/ ou melhor analisar o contexto histórico mundial recente.

 

“Eu não sou jornalista, sou um repórter-cidadão”.

 

Ulisses Valentim

Se você pensa que a vida de blogueiros no Brasil é fácil, onde grande parte dos usuários utiliza esta ferramenta para postar vídeos e imagens engraçadas, do outro lado do planeta a realidade é completamente diferente. Isto é mostrado no documentário americano Blogueiros da China, que retrata realidades distintas, porém parecidas de dois internautas, que utilizam seus blogs para fazer denuncias contra o governo da China.

 

O governo chinês se esforça para policiar a Internet, contudo, alguns cidadãos utilizam-na para veicular notícias por meio de blogs. Chamados de cidadãos-repórteres, eles correm o país com notebooks, celulares e câmeras digitais para contar histórias que não tem lugar na mídia oficial. Tiger Temple, de cabelos grisalhos, se desloca de bicicleta para apurar denúncias. O jovem e humilde camponês Zola se torna uma celebridade internacional da internet. Desafiando a repressão, eles lutam pela liberdade de expressão no país, driblando aquilo que Zola denomina o grande Firewall da China.

 

O documentário atende às expectativas, pois retrata uma china completamente diferente daquela mostrada para todo mundo nos Jogos Olímpicos de 2008. Pela visão dos personagens, é exibida ao público a pobreza de grande parte da população camponesa, que vive fora dos centros urbanos e também apresenta realidades muito parecidas com as vividas na cidade do Rio de Janeiro nos dias de hoje, como remoções sem consulta da população e transtornos causados por grandes modificações no espaço urbano.

 

Outro fator positivo do filme é questionar um fato antigo, mas que se molda pela tecnologia: a censura. Pode parecer estranho, mas na segunda maior economia do mundo (perde apenas para os Estados Unidos) o controle político e ideológico é muito grande, como se fosse nos  tempos de governos de extrema direita do início do século XX. E isso é deixado bem claro quando Zola é impedido de sair do país para um congresso de blogueiros, uma das partes mais dramáticas do filme.

 

O balanço do filme é positivo, mas um ponto poderia ter sido mais explorado, que é a história da vida dos personagens. Ela é passada superficialmente ao espectador, e em alguns momentos fica-se sem entender como eles chegaram a aquela situação. Ainda assim, o documentário se revela uma boa pedida para quem gosta do gênero. O diretor Stephen T. Maing acertou na mão.

09/10/2012