Heleno

A ascensão e declínio de uma estrela solitária

Beatriz Azevedo

Um dos filmes nacionais mais esperados do ano está em contagem regressiva para entrar em cartaz. Heleno, com direção de José Henrique Fonseca, chega aos cinemas no dia 30 de março com a curta história de um dos grandes ídolos, mas pouco conhecido, do Botafogo Futebol e Regatas e da Seleção Brasileira. O longa retrata a conturbada carreira do jogador e mulherengo Heleno de Freitas.

Rodrigo Santoro interpreta o excêntrico protagonista que chegou aos campos de futebol como atleta do time principal do Botafogo em 1937 e logo virou alvo do ódio e amor de muitos torcedores. Ao ser vendido ao Boca Juniors, dez anos depois, Heleno tornou-se o jogador mais caro das Américas.

Com uma vida muito intensa dentro e fora de campo, Heleno de Freitas viveu um triângulo amoroso com uma cantora (a colombiana Angie Cepeda) e com Silvia (Aline Moraes), com quem se casou e teve seu único filho.

O longa mostra a vida do advogado, boêmio e mulherengo jogador de futebol. Vida que teve bastante glamour, mas que terminou em solidão em um sanatório até a sua derrota na luta contra a Sífilis. O enredo de José Henrique Fonseca não é trabalhado de forma linear, porém ousa na produção, que em custo bateu o filme Vips, gastando 8,5 milhões de reais.

Rodado em preto e branco, a beleza de Heleno está na sua simplicidade e nas grandes atuações do elenco. Não é preciso ser um amante de futebol para se apaixonar pelo filme.

 

“Eu sou a gana em forma de gente”

Pedro Pimenta

Heleno não é apenas uma produção para amantes de futebol, torcedores do Botafogo ou fãs de Heleno de Freitas. Dirigido por José Henrique Fonseca, protagonizado brilhantemente por Rodrigo Santoro e com boa participação de Alinne Moraes no papel da esposa Silvia, o filme retrata a breve história de um dos maiores ídolos do Glorioso e primeiro craque problema que o povo brasileiro conheceu.

Construído de forma a contrastar grandes momentos da vida do jogador com seu definhamento físico e mental, graças à sífilis, o diretor conseguiu - com maestria - mostrar anjo e demônio que marcou o jogador em campo, segundo relatos de quem o viu jogar. “Anjo” com suas matadas de bola no peito e cabeçadas fulminantes e demônio com seu temperamento irritadiço, capaz de criticar duramente companheiros durante treinos e partidas. Neste sentido, Fonseca soube explorar bem a imagem do jogador, equilibrando seus momentos no ápice e na decadência.

O filme também retrata o vício de Heleno de Freitas pelo cigarro e éter, seu amor pelo Botafogo e seu irresistível charme que conquistava mulheres de todos os lugares. Há também cenas em que o irmão de Heleno aparece, conferindo raros momentos de um homem tranqüilo e com laços familiares.

Com um elenco capacitado e uma história recheada de conflitos amorosos, psicológicos e profissionais, o longa é uma excelente pedida para todos os gostos e principalmente, para os amantes de um bom drama.

                                                                                                                                                                                                             27/03/2012